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10/04/2026,
Eficiência Logística na Prática Lições da Operação da Tiscoski Distribuidora
Altamiro Borges CEO e Fundador

A busca por eficiência operacional deixou de ser uma vantagem competitiva para se tornar uma condição de sobrevivência no setor atacadista e distribuidor. Em um ambiente marcado por pressão de margens, expansão de mix e mudanças constantes no perfil de demanda, operações logísticas precisam evoluir de forma estruturada, integrada e orientada por resultados. 


 Foi exatamente esse cenário que motivou, entre 2021 e 2022, um projeto de otimização logística conduzido pela ABGroup na operação da Tiscoski Distribuidora, empresa da Braveo. 


 O objetivo era claro: aumentar produtividade e reduzir custos logísticos, com uma abordagem sistêmica envolvendo infraestrutura, processos, pessoas, tecnologia e indicadores. 

 O resultado foi direto e mensurável: redução de 0,5% dos custos logísticos sobre o faturamento bruto, além de ganhos expressivos de capacidade e produtividade.


Da teoria à prática: a validação em campo


Recentemente, durante uma visita técnica realizada na operação da Tiscoski Distribuidora, com a participação de executivos do setor, alunos da UND – Universidade da Distribuição e associados da ADAC- Associação de Distribuidores e Atacadistas Catarinenses, foi possível observar na prática os resultados desse projeto de otimização logística. 


 Mais do que uma apresentação conceitual, a visita evidenciou a consistência e a maturidade operacional alcançada ao longo dos anos, reforçando que os ganhos obtidos não foram pontuais, mas estruturais e sustentáveis.


A trajetória da Tiscoski Distribuidora


Fundada em 1987, em Forquilhinha (SC), por Aloysio Tiscoski, a empresa iniciou suas atividades como uma operação de pequeno porte, atendendo o mercado regional. 

 Ao longo dos anos, expandiu sua atuação e, a partir de 1999, passou a atender todo o estado de Santa Catarina, consolidando-se como uma das principais distribuidoras de bens de consumo da região. 

 Com um portfólio diversificado — incluindo alimentos, bebidas, higiene, limpeza, medicamentos e utilidades domésticas —, a Tiscoski construiu uma operação robusta, com alta capilaridade e capacidade de atendimento a diferentes perfis de clientes. 

 Mais do que crescimento, a empresa se destaca pela consistência de gestão e pela busca contínua por eficiência, características que sustentam sua evolução operacional até os dias atuais.


Contexto Operacional: escala, estrutura e complexidade 


Box de carga e descarga 


Antes de aprofundar nas soluções implementadas, é importante compreender o nível de maturidade e escala da operação.

 A Tiscoski opera um centro de distribuição com aproximadamente 6.000 m², sustentado por uma equipe de 100 colaboradores na logística, distribuídos em 3 turnos com operação contínua 24 horas por dia.

 Mesmo com essa complexidade operacional, a operação apresenta indicadores consistentes: 

 • Produtividade de separação: 380 a 400 unidades por homem/hora 

 • OTIF (On Time In Full): 91% 

 • Taxa de devolução: 0,65% 

 • Cortes: aproximadamente R$1.500 /mês 

 • Frota: 100% terceirizada 

 • Reentregas: 100% rerroteirizadas 


 Cabe destacar que a baixa taxa de devolução não é resultado apenas da logística, mas de uma atuação integrada com a área comercial, especialmente na gestão do tamanho de pedido, reduzindo distorções operacionais e melhorando a qualidade do atendimento.


Transformação Estrutural: Ganho de capacidade sem expansão física


Um dos pilares do projeto foi a reconfiguração do centro de distribuição, com foco em aumento da capacidade estática (número de paletes armazenados) e da capacidade dinâmica (número de paletes movimentados) no mesmo prédio, sem a necessidade de ampliações estruturais. 

 As principais intervenções incluíram: 

 • Implantação de ilha de picking para aumento da produtividade, e de uma estrutura de armazenagem drive-in que permitiu uma armazenagem mais intensiva 

 • Criação de área de pré-box, organizando e antecipando as etapas de carga e descarga

 • Redesenho do fluxo operacional para eliminar gargalos e movimentações desnecessárias 


 Essas mudanças proporcionaram: 

 • +77% de aumento na capacidade de armazenagem 

 • +100% de aumento de produtividade operacional 

Mais do que ganho físico, houve uma evolução na lógica operacional: o CD deixou de ser reativo e passou a operar com maior previsibilidade, cadência e aproveitamento dos recursos existentes.


Ilha de Picking: o motor da produtividade operacional

 Ilha de Picking com 2 andares com tubogã em caracol e esteira


Entre as soluções implementadas, um dos principais destaques técnicos foi a implantação da ilha de picking, elemento central para o ganho de produtividade da operação. Permitindo alcançar níveis consistentes de 380 a 400 unidades/homem/hora, patamar competitivo para operações do segmento distribuidor. 

 Esse modelo reorganiza o processo de separação, reduz deslocamentos e cria um fluxo contínuo mais eficiente dentro do CD. 


 Principais ganhos observados:

 1. Produtividade 

 • Redução significativa do tempo de deslocamento 

 • Aumento da taxa de separação por operador 


 2. Acuracidade 

• Menor incidência de erros operacionais 

 • Maior confiabilidade no atendimento de pedidos 


 3. Ergonomia 

 • Redução de esforço físico 

 • Melhoria nas condições de trabalho e menor fadiga


 4. Escalabilidade 

 • Facilidade de adaptação a variações de demanda 

 • Base estruturada para evolução tecnológica futura 


 A utilização de equipamentos como o transpalete elétrico, integrada ao conceito da ilha, potencializou ainda mais a eficiência operacional.


SCCP: Separação, Conferência e Carregamento Paletizado como acelerador de fluxo

Carga SCCP


Complementando a eficiência da separação, a operação adotou o conceito de SCCP — Separação, Conferência e Carregamento Paletizado, estruturando a expedição de forma integrada.


 Impactos diretos: 

 • Redução de movimentações intermediárias 

 • Carregamento mais rápido e padronizado

 • Aumento da acuracidade na expedição 

 • Integração com pré-box e roteirização 


 A prática de rerroteirização de 100% das reentregas, aliada à frota totalmente terceirizada, reforça a flexibilidade e controle operacional na última milha.


Integração: O verdadeiro diferencial competitivo


Área de checkout com mesas de conferências



Um ponto fundamental — e muitas vezes negligenciado — é que os ganhos não vieram de uma única solução isolada. 


 O sucesso do projeto esteve na integração entre cinco pilares:

 • Infraestrutura (layout e armazenagem) 

 • Processos (fluxos e padronização) 

 • Pessoas (capacitação e disciplina operacional) 

 • Tecnologia da Informação (suporte e rastreabilidade) 

 • Indicadores de desempenho (gestão orientada a dados) 


 A combinação entre ilha de picking + SCCP + pré-box + gestão logística do ciclo do pedido foi determinante para o desempenho.


Sustentação dos resultados: consistência comprovada após 4 anos


Em 25 de março, durante visita técnica com alunos da UND- Universidade da Distribuição, clientes da ABGroup e associados da ADAC - Associação de Distribuidores e Atacadistas Catarinenses, foi possível observar um dos aspectos mais relevantes deste case: a consistência dos resultados ao longo do tempo.


Visita técnica Tiscoski


Quatro anos após a implementação do projeto, a operação da Tiscoski demonstra que os ganhos não foram pontuais — foram estruturais e sustentáveis. 

 Mesmo diante de um cenário desafiador, com: 

 • Redução do número de clientes atendidos 

 • Diminuição do mix de produtos


 A operação conseguiu:

 • Manter os níveis de produtividade

 • Preservar a eficiência operacional 

 • Sustentar os indicadores de desempenho alcançados no projeto 


 Esse resultado evidencia um ponto crítico em projetos logísticos: 

 Não basta implementar melhorias — é necessário garantir disciplina e governança para sustentar os ganhos ao longo do tempo. 


 Grande mérito deve ser atribuído à liderança da operação, conduzida por Douglas Eyng, e à consistência da equipe na execução do modelo operacional. 


 Conclusão: Um case de maturidade logística para o setor 


 A operação da Tiscoski se consolida como um exemplo concreto de como projetos bem estruturados de otimização logística podem gerar resultados expressivos e, principalmente, sustentáveis. 


 Mais do que os números, este case reforça três aprendizados-chave: 

 • Capacidade pode ser ampliada sem expansão física, com inteligência de layout e fluxo

 • A ilha de picking é um acelerador relevante de produtividade, quando bem aplicada 

 • SCCP garante fluidez na expedição 

 • Integração com o comercial impacta diretamente os resultados logísticos

 • A disciplina operacional é o que transforma ganhos em legado 


 Para distribuidores e operadores logísticos, a mensagem é direta: 

 Excelência logística não está apenas em implementar boas soluções, mas em garantir que elas continuem funcionando com consistência ao longo dos anos.

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